A União Brasileira de Compositores (UBC) realizou uma pesquisa que mapeia a <b>desigualdade de gênero na indústria musical</b>. O relatório, intitulado "Por elas que fazem a música", será lançado na íntegra no Dia da Mulher (8/3), revelando que, além da diferença financeira, a discriminação por gênero e assédio ainda são muito comuns no ramo musical.De acordo com o relatório, as regiões onde há maior<b> presença das mulheres na música</b> são o Nordeste e Sudeste, que englobam 16% e 60%, respectivamente. Enquanto isso, o Norte se classifica como a região com menor participação feminina na indústria musical, com apenas 3% de artistas femininas. Em relação às <b>categorias profissionais</b> na música, 73% das artistas femininas se classificam como autoras/compositoras, 22,5% são intérpretes, e 1,5% são produtoras fonográficas. Apesar de uma porcentagem relativamente baixa em certas categorias, o relatório aponta um crescimento considerável da participação feminina na música brasileira.Entre os 100 autores com maior <b>rendimento em direitos autorais</b>, apenas 6% são mulheres (ECAD, 2023). Além disso, menos de 10% do TOP 50 das músicas mais ouvidas do Brasil é composto por artistas mulheres, refletindo o distanciamento entre a quantidade de artistas femininas e o seu destaque nas paradas de sucesso.“As mulheres têm falado mais de seus pontos de vista, expandindo nosso universo musical. Ainda precisamos ampliar essa participação no mercado, tanto na produção quanto na arrecadação. Esse movimento não pode mais ser contido”, afirmou a cantora e diretora vogal da UBC, Fernanda Takai, em nota divulgada pela assessoria.Este crescimento de artistas femininas não se limita ao Brasil. Um levantamento realizado pela plataforma Billboard levantou que, no primeiro semestre de 2024, seis mulheres ocuparam o top 10 dos charts pela primeira vez em cinco anos. No entanto, apenas 5% das pessoas que trabalham em produção de áudio são mulheres (Women's Audio Mission, 2020), o que destaca mais uma vez a <b>desigualdade no campo da produção musical.</b> E, mesmo com esse avanço, apenas 35% dos lineups dos grandes eventos era composto por artistas femininas entre 2016 e 2023, conforme pesquisa realizada por Thabata Lima Arruda (Zumbido/Selo Sesc, 2023).<b>Desigualdade na Indústria Musical: Apenas 8% dos Royalties de Direitos Autorais Foram Destinados a Compositoras, Aponta o ECAD</b>Por isso, de acordo com o relatório "Por elas que fazem a música", é imprescindível a criação de projetos de apoio e incentivo para que as mulheres ocupem os espaços na indústria da música. Um destes projetos que visam fortalecer a representatividade feminina na música é o <b>“Potência Delas”</b>, lançado pelo <b>Sua Música</b> durante as comemorações do <b>mês da Mulher</b>.Considerada uma iniciativa de fluxo contínuo, o “Potência Delas” nasceu com o objetivo de <b>criar mais oportunidades para mulheres</b> em diversos ramos da música, como produção musical e audiovisual, formatos especiais, editoriais e estratégias de divulgação.Com diversos eventos já programados, incluindo workshops com especialistas, o projeto também busca<b> incentivar o surgimento de novas vozes</b>, com condições especiais e bonificações para artistas mulheres, além de um duelo de vozes para revelar novos talentos femininos do Nordeste. Outro grande evento será a gravação do especial Forró Delas, no Sua Música Space, reunindo ícones do gênero para apresentações memoráveis.“Sentimos que há avanços, mas a mudança acontece de forma lenta. Em algumas áreas, a presença de mulheres ainda é mínima, e precisamos reverter esse cenário. Queremos ser <b>agentes dessa transformação</b> e dar o impulso necessário para que mais artistas femininas tenham seu espaço garantido”, afirmou <b>Marcela d’Arrochella, Sócia e diretora comercial do Sua Música</b>.