Quando se fala em forró, os primeiros nomes que costumam surgir são os de <b>Luiz Gonzaga</b>, <b>Jackson do Pandeiro</b> e <b>Dominguinhos</b>. Mas um novo minidocumentário chega para mexer nessa memória coletiva e revelar uma verdade: as mulheres foram fundamentais para criar, moldar e reinventar o gênero desde seus primórdios.(image)Com cerca de 50 minutos de duração, “A História das Mulheres no Forró”, produção assinada pelo Igoarias Musicais, estreou na última quarta-feira (26) no YouTube, trazendo quase um século de contribuições femininas para o ritmo.O filme revisita momentos pouco conhecidos, como o fato de que <b>Stefania de Macedo</b>, recifense, gravou em 1930 “Estrela D’Alva”, considerado o primeiro baião registrado, onze anos antes de Gonzaga despontar no mercado fonográfico.Outro destaque é a dupla <b>Xerém e Tapuya</b>, formada pelos irmãos Pedro e Nadir, que em 1937 interpretaram “Forró na Roça”, a primeira canção a citar o termo “forró”. Esses e outros marcos são narrados pelo produtor musical Caçapa, que ressalta a originalidade vocal dessas pioneiras, tão distinta do padrão das cantoras do Sudeste da época.O documentário também abre espaço para novas gerações. A jovem<b> Anne Louise</b>, de apenas 20 anos, primeira sanfoneira da história de Roraima, e a recifense <b>Joyce Alane</b>, que lançou em junho o álbum “Casa Coração” com releituras emocionadas de clássicos do forró, reforçam como o legado feminino segue pulsante.Entre compositoras, o filme recupera trajetórias gigantescas, mas frequentemente apagadas: <b>Anastácia</b>, autora de mais de 600 músicas; <b>Cecéu</b>, parceira de nomes como Gonzaga e Gal Costa; <b>Glória Gadelha</b>, coautora de “Feira de Mangaio” ao lado de Sivuca; e Rita de Cássia, força criativa por trás de sucessos que marcaram o forró eletrônico dos anos 1990.Segundo o diretor <b>Igor Marques</b>, mais de 110 mulheres foram catalogadas, mas ele garante que o número real é muito maior. “O mais impactante foi perceber que elas são protagonistas não só na música, mas também nos bastidores”, afirma.O filme ainda destaca o papel de lideranças na preservação do forró como patrimônio cultural, como <b>Joana Alves</b>, responsável por articular o reconhecimento do ritmo como Patrimônio Imaterial do Brasil pelo IPHAN em 2021, além de <b>Marizete Nascimento</b> e <b>Tereza Accioly</b>, figuras essenciais nos movimentos de salvaguarda do gênero.